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Criar um Aplicativo

Quanto custa criar um aplicativo em 2026: faixas reais por tipo de app (e como chegar ao seu número antes de pedir orçamento)

Gabriela Dionelli · · 8 min de leitura

person holding pen near paper

Você pediu orçamento para três lugares e recebeu três números que não batem: R$ 18 mil, R$ 70 mil e R$ 190 mil. O aplicativo era o mesmo, e a descrição também. Agora você está com a planilha aberta às 23h, tentando entender quem está te enganando e se o dinheiro que você guardou dá para alguma coisa.

Respira. Vamos por partes. Ninguém está necessariamente mentindo. Cada fornecedor leu o mesmo parágrafo e imaginou um aplicativo diferente. Neste artigo você vai ver as faixas reais de preço de um app em 2026, de onde esses números saem e como chegar ao seu próprio valor antes de pedir a próxima proposta.

Quanto custa criar um aplicativo: o preço vem da lista, não do app

Perguntar quanto custa um aplicativo é como perguntar quanto custa uma casa. Antes de qualquer número, você precisa saber o que o seu aplicativo tem que fazer na primeira versão.

Todo orçamento sério sai da mesma conta: horas de trabalho multiplicadas pelo valor da hora. No Brasil, em 2026, a hora de um desenvolvedor experiente fica entre R$ 80 e R$ 220, dependendo da senioridade e de quanto da gestão do projeto vem junto. Entre fornecedores sérios, o valor da hora varia pouco. O que varia muito é a quantidade de horas, e quem define essa quantidade é a lista de funcionalidades.

Login com e-mail, login com Google, recuperação de senha, perfil, notificações, pagamento, chat, mapa, painel administrativo. Numa reunião, cada item parece pequeno. Somados, viram centenas de horas. Quem controla a lista controla o preço, e quem controla a lista é você.

Faixas reais de preço de aplicativo em 2026, por tipo

Os valores abaixo consideram iOS e Android feitos a partir de uma base de código só (React Native), com design de interface, backend e publicação nas lojas incluídos. São faixas de mercado para equipe experiente, não uma promessa de orçamento.

Tipo de aplicativoExemplosHoras estimadasFaixa de preçoPrazo
SimplesCatálogo, agendamento, conteúdo, cardápio, app institucional com login250 a 400 hR$ 25 mil a R$ 60 mil6 a 10 semanas
IntermediárioLogin, perfil, pagamento, notificações push e painel administrativo500 a 900 hR$ 60 mil a R$ 150 mil10 a 18 semanas
ComplexoMarketplace com dois lados, geolocalização, chat ou recursos em tempo real1.000 a 1.800 hR$ 150 mil a R$ 350 mil20 a 36 semanas

Se alguém oferecer um app completo por menos de R$ 20 mil, pergunte o que vem por trás. Normalmente é um template pronto adaptado, uma ferramenta no-code ou um escopo que deixa de fora o backend, o painel ou a publicação. Pode até servir, desde que você saiba o que está comprando.

O que mais mexe no número

  • Uma base de código ou duas. Construir iOS e Android separados, em código nativo, costuma aumentar o valor em 40% a 70%. Com React Native, a maior parte do código serve às duas plataformas.
  • Pagamento dentro do app. Checkout com cartão e Pix, divisão de valores entre vendedores, estorno e conciliação somam de 80 a 200 horas, conforme a complexidade.
  • Backend próprio ou serviço pronto. Usar serviços como Supabase ou Firebase para login, banco de dados e arquivos economiza semanas de trabalho na primeira versão.
  • Design. Um bom design de interface para um app intermediário leva de 60 a 120 horas. Cortar essa etapa é tentador, mas quase sempre sai caro depois.
  • Integrações. Cada sistema externo (ERP, gateway de pagamento, API de terceiros) costuma trazer documentação ruim, ambiente de teste instável e horas que ninguém previu.

Some também os custos das lojas: a conta de desenvolvedor da Apple custa US$ 99 por ano, e a do Google Play custa US$ 25, pagos uma única vez. Depois do lançamento ainda vem a conta mensal de servidor e manutenção. É outro assunto, mas precisa entrar no seu planejamento desde já.

Como estimar o custo do seu aplicativo antes de pedir orçamento

Os passos abaixo não custam nada e melhoram muito as propostas que você vai receber.

  1. Escreva a jornada principal em uma frase. Exemplo: “a pessoa encontra um evento, compra o ingresso e entra com o QR code”. Tudo o que não serve a essa frase pode ficar para depois. Custo: R$ 0.
  2. Liste as telas, uma por linha. Papel e caneta resolvem. Login, início, busca, detalhe, carrinho, pagamento, confirmação, perfil. Um app simples tem de 8 a 15 telas, e um intermediário, de 20 a 40. Só essa contagem já mostra em qual linha da tabela você está. Custo: R$ 0.
  3. Marque cada tela como “sem ela não existe produto” ou “seria bom ter”. Seja duro. A maioria das primeiras versões precisa de metade das telas que o fundador listou. Custo: R$ 0.
  4. Escolha a plataforma pelo seu público, não pelo seu celular. Se o seu público usa mais Android, comece por ele ou use uma base única para as duas lojas. Pagar dois apps nativos na primeira versão raramente se justifica. Custo: R$ 0.
  5. Veja o que dá para comprar pronto. Login, envio de e-mail, notificações, pagamento e mapas já existem como serviço. Você paga pelo uso em vez de pagar horas de construção. Custo: no começo, geralmente gratuito ou poucos reais por mês.
  6. Leve essa lista para o orçamento. Peça a cada fornecedor uma estimativa por funcionalidade, e não um valor fechado sem detalhe. Assim você compara item com item, em vez de comparar um número com outro.

Com isso, a distância entre as propostas cai bastante, porque todos passam a orçar o mesmo aplicativo.

Os erros que mais encarecem o primeiro aplicativo

Construir a versão dos sonhos logo de cara

Imagine uma fundadora com a ideia de um app de agendamento para salões de beleza. A lista dela tem agenda, pagamento, programa de fidelidade, chat com a cliente, avaliações e uma loja de produtos. Um orçamento honesto para tudo isso passa fácil de R$ 150 mil. Se a lista for cortada para agenda, confirmação por WhatsApp e pagamento de sinal, o projeto cai para algo entre R$ 50 mil e R$ 70 mil. E é essa versão menor que vai mostrar se os salões usam o app de verdade.

Esse erro tem uma explicação psicológica. Quem está gastando a própria reserva sente que precisa aproveitar o investimento e colocar tudo de uma vez. Só que cada funcionalidade extra é mais uma coisa que o usuário precisa aprender no primeiro uso, e mais um ponto onde ele pode desistir. Seu primeiro produto não precisa ser perfeito. Precisa existir.

Escolher a proposta mais barata sem ler o que ficou de fora

A proposta de R$ 18 mil e a de R$ 70 mil podem estar descrevendo coisas diferentes. Uma inclui painel administrativo, publicação nas lojas e 30 dias de correção de bugs. A outra entrega o código e encerra o contrato. Antes de comparar os valores, compare o que cada uma inclui: design, backend, painel, publicação, testes, garantia e quem fica com o código e os acessos.

Pular o design para economizar

Tirar de R$ 8 mil a R$ 15 mil de design do orçamento parece economia. Na prática, o desenvolvedor vai decidir a interface no meio do código, você vai pedir mudanças quando vir as telas prontas, e cada mudança nessa fase custa várias vezes mais do que custaria num protótipo. Quando a pessoa não entende o que fazer em seguida, ela abandona o app nos primeiros minutos. Isso se resolve no design, não no código.

Deixar o escopo aberto

“A gente vai ajustando no caminho” é a frase mais cara de um projeto de aplicativo. Sem escopo escrito, cada ideia nova vira trabalho extra, e o prazo de 12 semanas vira 30. Ajustes vão acontecer, e é bom que aconteçam, mas com uma regra combinada antes: o que entra, o que sai e quanto custa cada troca.

Quem constrói o seu aplicativo com você

Quando chegar a hora de construir, é isso que a gente faz na OCA Software House. E não falamos de teoria, porque temos um aplicativo próprio em produção. O Revo App é uma plataforma de descoberta de eventos e venda de ingressos com mais de 40 mil usuários cadastrados, mais de 300 eventos por mês e um checkout próprio que converte 90%. Ele foi feito em React Native, com Supabase no backend e Pagar.me nos pagamentos. É a mesma combinação de base única e serviços prontos que este artigo recomenda.

Isso muda a conversa sobre orçamento. Sabemos quanto custa um checkout porque operamos um. Sabemos quais telas o usuário ignora porque acompanhamos os dados todos os dias. Por isso, a primeira coisa que fazemos com um cliente é ajudar a enxugar a lista, não a aumentar. Nossa equipe é pequena e sênior, e você fala direto com quem escreve o código. Em projetos com potencial de mercado, também conversamos sobre parcerias que vão além do desenvolvimento.

Outros produtos que construímos estão no portfólio de projetos da OCA.

Seu próximo passo nesta semana

Antes de pedir mais um orçamento, faça a lista de telas e marque o que é indispensável. Mostre essa lista para três pessoas do seu público e pergunte qual tela elas usariam primeiro. Se as respostas forem parecidas, você tem uma versão 1. Se forem muito diferentes, você descobriu algo importante sem gastar nada.

Com a lista em mãos, a gente te ajuda a chegar a um número realista, com faixa de preço, prazo em semanas e o que pode ficar para a segunda versão.

Fale com a OCA sobre o seu aplicativo

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