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Carreira Dev

Portfólio de desenvolvedor que gera cliente: o que colocar, o que cortar e como mostrar projeto sob NDA (e o que a OCA olha antes de repassar um projeto)

Lucas Annunziato · · 9 min de leitura

MacBook Pro on top of brown table

Você tem um GitHub com 40 repositórios, um site com sua foto, uma seção "Sobre mim" e uma parede de logos: React, Node, TypeScript, Docker, AWS. Montou tudo num fim de semana, com cuidado. Faz meses que está no ar. Nenhum cliente chegou por ele.

O problema não é o seu código. É que esse portfólio foi feito para um recrutador técnico, alguém que vai abrir o repositório e ler seus commits. Quem paga projeto freelance não faz isso. É o dono de uma clínica, uma gerente de operações, um fundador que teve uma ideia no chuveiro. Essa pessoa abre sua página no celular, entre uma reunião e outra, e decide em poucos segundos se você resolve o problema dela. Se não encontra a resposta, fecha a aba e chama o próximo da busca.

Este artigo é sobre transformar o portfólio de vitrine técnica em peça de venda: o que colocar, o que cortar, como mostrar projeto sob NDA e o que eu aprendi do lado de quem recebe os leads.

Por que o seu portfólio de dev não gera cliente

Vou te falar como funciona do lado de quem recebe os leads: a OCA aparece no Google e nas IAs para buscas de desenvolvimento de software, e chegam dezenas de contatos por dia. A primeira pergunta quase nunca é sobre stack. É "vocês já fizeram algo parecido com isso?". Depois vêm "quanto custa" e "quanto tempo leva". React ou Flutter aparece lá pela quinta mensagem, quando aparece.

Isso muda o que um portfólio precisa responder. O cliente não técnico quer saber três coisas:

  • Semelhança: você já resolveu um problema parecido com o meu?
  • Entrega: o que você fez está no ar, sendo usado por gente de verdade?
  • Confiança: dá para conversar com você sem eu me sentir perdido?

O portfólio típico de dev responde outra pergunta: "eu sei usar essas ferramentas?". Ela faz sentido para vaga CLT, em que um tech lead avalia sua senioridade. Para cliente direto, é quase irrelevante. Se você já entrega bem, o seu problema não é técnico, é distribuição. E o portfólio é a página em que a distribuição vira conversa ou morre.

O que colocar no portfólio de desenvolvedor para gerar lead

A estrutura que funciona cabe em uma página. Você não precisa de framework novo nem de animação em 3D. Um domínio .com.br custa por volta de R$ 40 por ano, um site estático roda no plano gratuito da Vercel ou da Netlify e a primeira versão sai em um fim de semana. O trabalho de verdade é o texto.

A headline que diz quem paga você

A primeira linha precisa dizer o que você constrói, para quem e qual problema resolve. A fórmula:

Eu construo [tipo de produto] para [tipo de cliente] que precisa [resultado concreto].

  • Antes: "Desenvolvedor Full Stack apaixonado por tecnologia e novos desafios."
  • Depois: "Eu construo apps de agendamento e pagamento para clínicas e estúdios que ainda marcam horário pelo WhatsApp."

A segunda versão afasta muita gente, e é exatamente isso que você quer. A dona do estúdio de pilates que cair nela sente que a página foi escrita para ela. O resto não ia fechar de qualquer jeito.

Três cases, não quinze repositórios

Escolha os três projetos mais próximos do cliente que você quer atrair e transforme cada um em um case curto. Seis blocos bastam:

  1. Contexto: quem era o cliente e como a operação funcionava antes.
  2. Problema: o que doía, em linguagem de negócio ("perdia um terço dos horários por falta de confirmação").
  3. Decisão: o que você escolheu fazer e, principalmente, o que decidiu não fazer.
  4. Resultado: um número, mesmo que modesto.
  5. Stack: uma linha, no fim. Quem se importa vai procurar.
  6. Prova: link no ar, print, vídeo de 30 segundos ou depoimento com nome.

Cada case leva de 2 a 3 horas para escrever. Dificilmente outra tarefa desse tamanho rende tanto, porque cada um vira resposta pronta para a pergunta "você já fez algo parecido?".

Número de produção antes de stack

Quando a gente apresenta o Revo, a plataforma de eventos que a OCA construiu e opera, a ordem é sempre a mesma: mais de 40 mil usuários cadastrados, mais de 300 eventos por mês, checkout próprio com 90% de conversão. React Native, Supabase e Pagar.me vêm depois, para quem perguntar. Dá para ver como organizamos isso na página de projetos da OCA.

Seu número não precisa ser grande. Frases como "sistema usado todo dia por 12 corretores" ou "painel que substituiu 4 planilhas" já contam uma história que um logo de TypeScript nunca vai contar. Número mostra que o projeto saiu do localhost.

Contato em um clique e faixa de entrada

Botão de WhatsApp visível no topo e no fim da página, sem formulário de dez campos. E, se tiver coragem, uma faixa de entrada: "projetos a partir de R$ 15 mil" ou "MVPs entre 6 e 12 semanas". Isso filtra quem esperava um marketplace completo por R$ 2 mil e economiza horas de call que não iam fechar.

Como mostrar projeto sob NDA ou feito na CLT

A desculpa mais comum para não ter portfólio é "tudo que eu fiz é da empresa" ou "assinei NDA". Isso trava muita gente boa, e dá para resolver sem expor ninguém:

  • Anonimize o cliente, não o problema. "Plataforma de agendamento para uma rede de clínicas com 14 unidades em SP" conta a história sem citar a marca.
  • Descreva decisão e resultado, nunca código. Código do empregador ou do cliente não vai para o seu GitHub público. Nem trecho, nem "versão limpa".
  • Redesenhe as telas. Refaça dois ou três fluxos no Figma com dados fictícios e sem a identidade visual original. Mostra o raciocínio sem mostrar o produto.
  • Peça autorização por escrito. Muito cliente topa ser citado se você perguntar. Um e-mail com "posso citar o projeto no meu portfólio, sem dados internos?" resolve.
  • Leia o contrato antes. Se a cláusula de confidencialidade proíbe até mencionar o projeto, respeite. Um case a menos custa bem menos que um processo.

Para quem está na CLT, vale a mesma regra, com um cuidado extra: fale da sua contribuição ("liderei a migração do checkout para aceitar Pix"), não dos números internos da empresa.

O que cortar do portfólio (e o que colocar no lugar)

CortePor que atrapalhaColoque no lugar
Barras de habilidade com porcentagemNinguém sabe o que significa "85% de React"Uma linha de stack dentro de cada case
Parede com 30 logos de tecnologiaDiz que você faz tudo, então não é especialista em nadaAs 3 ou 4 ferramentas dos projetos que você quer vender
Clone de Netflix, to-do list, app de climaMostra que você seguiu um tutorial, não que resolveu problema de clienteUm projeto pequeno e real, mesmo que feito para um conhecido
"Apaixonado por tecnologia e novos desafios"Todo portfólio diz issoA headline com cliente e problema
Certificados de curso em destaqueCliente não sabe avaliar e não se importaDepoimento de alguém que pagou você
Link de demo fora do arUm 404 pesa mais que qualquer case bem escritoVídeo curto do sistema funcionando

O corte dói porque cada item ali deu trabalho. Mas o portfólio não é um diário do seu aprendizado. É a resposta para a pergunta de um cliente específico.

Os erros que fazem o lead fechar a aba

O portfólio que só existe no GitHub

GitHub é ótimo para dev avaliar dev. Para cliente, é uma lista de pastas com nome em inglês. Se o link principal da sua bio é o GitHub, você está falando com o público errado. Deixe ele como link secundário, para o CTO que quiser olhar.

O dev que mostra tudo e não vende nada

App, site institucional, bot de Discord, jogo em Unity, script de automação. Quem vê não sabe o que te pedir. Vejo isso direto quando avalio portfólio de dev: a pessoa é tecnicamente capaz, mas a página não ajuda ninguém a encaixar um projeto nela. Três cases do mesmo tipo comunicam mais que doze de tipos diferentes.

O case sem número e sem cliente

"Desenvolvi um sistema de gestão completo com dashboard e relatórios." Para quem? Resolveu o quê? Mudou o quê na operação? Sem essas três respostas, o case é só uma lista de telas.

O portfólio parado há dois anos

Projeto de 2023 no topo, stack que você nem usa mais, contato apontando para um e-mail que você não abre. Reserve uma hora por trimestre para revisar. Cada projeto entregue é candidato a case novo, e o mais recente costuma ser o mais parecido com o que o mercado está pedindo agora.

O que a OCA olha no portfólio antes de repassar um projeto

A gente aparece no Google e nas IAs, e é assim que os clientes chegam. Isso não é teoria, é literalmente como a OCA cresceu. Hoje chegam mais projetos do que o time consegue atender, e por isso montamos uma rede de parceiros: devs e pequenos times seniores que recebem projetos já qualificados e com escopo definido.

Quando um dev pede para entrar, o portfólio é a primeira coisa que a gente abre. O que pesa:

  • Projeto em produção. Algo no ar, com usuário real, vale mais que qualquer repositório bonito.
  • Clareza para não técnico. Se o case explica a decisão sem jargão, é sinal de que você vai conseguir conversar com o cliente que a gente repassar.
  • Escopo fechado e entregue. Projetos com começo, meio e fim mostram que você sabe dizer não para o que não cabe.
  • Foco. Saber em que tipo de projeto você rende mais ajuda a gente a encaixar o lead certo em você.

O que o parceiro recebe: um cliente que já chegou confiando, escopo desenhado antes do repasse e um projeto que você não precisou prospectar. Não existe garantia de volume nem de aprovação. A gente avalia caso a caso, e o portfólio é o que abre ou fecha essa conversa.

Entre para a rede de parceiros da OCA

Entrando ou não na rede, faça uma coisa esta semana: reescreva a headline do seu portfólio com a fórmula "Eu construo [produto] para [cliente] que precisa [resultado]" e transforme um único projeto em case com os seis blocos. Uma headline e um case já deixam o seu portfólio muito mais forte do que o que está no ar hoje.

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