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Freelance para Devs

Parceria com software house: como funciona receber projetos repassados e o que decide se você entra na rede

Lucas Annunziato · · 8 min de leitura

two people shaking hands in front of a computer monitor

Você entrega bem. Escreve código limpo, respeita prazo, o cliente volta a falar com você meses depois pedindo mais coisa. E mesmo assim, toda vez que um projeto acaba, bate aquele vazio: e agora, de onde vem o próximo? Você abre o LinkedIn, manda mensagem pra três conhecidos, considera voltar pro Workana e desiste na terceira proposta de R$ 15 a hora. Esse é o ciclo. Não é falta de competência técnica, é falta de pipeline. E é exatamente por isso que tanto dev bom vive com faturamento em montanha-russa enquanto dev mediano com boa distribuição vive cheio.

A verdade desconfortável: distribuição vale mais que técnica

Quem tem fluxo de clientes constante não é necessariamente quem escreve o melhor código. É quem aparece. Aparece no Google, aparece nas respostas do ChatGPT, aparece na indicação do amigo do cliente. Construir isso do zero leva de 6 a 18 meses de conteúdo, SEO, portfólio e prova social. É um projeto paralelo inteiro, e a maioria dos devs não tem fôlego financeiro pra bancar esse tempo sem faturar.

Existe um atalho legítimo pra esse problema: se plugar em quem já tem o pipeline pronto. Software houses com presença consolidada recebem muito mais demanda do que conseguem entregar. Não é generosidade repassar projeto, é matemática de capacidade. Um time senior pequeno tem um teto de entrega mensal. Tudo que passa disso ou é recusado ou vai pra alguém de confiança.

Vou te falar como funciona do lado de quem recebe os leads: na OCA chegam dezenas de contatos por dia vindos de busca orgânica e de citação em assistentes de IA. Desses, uma parte grande não fecha (orçamento fora da faixa, ideia sem maturidade, timing ruim). Mas o volume que sobra, qualificado e pronto pra começar, já passa do que o time consegue absorver. Isso não é teoria, é literalmente como a OCA cresceu e por que a rede de parceiros existe.

Os três modelos de repasse que existem no mercado

Quando alguém fala "trabalho com projetos repassados", pode ser uma de três coisas bem diferentes. Confundir elas é a origem de quase todo atrito.

1. Indicação pura

A software house te apresenta ao cliente e sai de cena. Você fecha contrato direto, emite sua nota, toca o projeto. Em troca, paga uma comissão de indicação, normalmente entre 5% e 15% do valor fechado, às vezes só na primeira contratação.

Vantagem: margem cheia e relacionamento direto com o cliente. Desvantagem: todo o risco comercial, jurídico e de escopo é seu. Se o cliente sumir, se o escopo explodir, se ele reclamar de bug seis meses depois, é com você.

2. Subcontratação (white label)

O contrato é entre a software house e o cliente. Você entra como executor, geralmente sem contato direto com o cliente final ou com contato mediado. A casa faz escopo, proposta, gestão, QA e cobrança. Você recebe por hora ou por entrega.

O desconto aqui é maior, tipicamente entre 20% e 35% em relação ao que o cliente paga. Faz sentido: quem está na frente do cliente absorve o risco de calote, retrabalho de escopo mal definido e garantia pós-entrega. Você troca margem por previsibilidade e por não precisar vender nada.

3. Parceria com escopo repassado

O meio termo, e o modelo que mais funciona pra dev senior. A casa qualifica o lead, faz a descoberta, fecha o escopo e o preço, e te passa o projeto já contratado e definido. Você executa com autonomia técnica e entra nas reuniões de cliente como parte do time. A casa continua responsável pela relação comercial e pela qualidade final.

Aqui o repasse fica na faixa de 15% a 25% do valor do projeto ficando com a casa, e o resto é seu. Você não precisa prospectar, não precisa negociar preço, não precisa escrever proposta. Precisa entregar.

A conta real: quanto sobra pra você em cada modelo

Números redondos pra ficar concreto. Um sistema web sob medida de porte médio no Brasil hoje fecha entre R$ 25 mil e R$ 90 mil. Um app mobile completo com backend e painel fica entre R$ 35 mil e R$ 120 mil, dependendo de integração de pagamento, complexidade de perfis e prazo.

Pegue um projeto de R$ 60 mil, estimado em 320 horas:

  • Indicação (10%): você fatura R$ 54 mil, ou R$ 168 a hora. Mas você gasta 20 a 40 horas não faturáveis em proposta, reuniões comerciais, ajuste de escopo e cobrança. A hora efetiva cai pra algo entre R$ 145 e R$ 155.
  • Subcontratação (30%): você fatura R$ 42 mil, ou R$ 131 a hora. Zero hora comercial. Zero risco de inadimplência.
  • Parceria com escopo fechado (20%): R$ 48 mil, R$ 150 a hora, com talvez 10 horas de reunião de alinhamento.

A conta é simples: a diferença bruta entre os modelos é menor do que parece quando você desconta o custo real de vender. E o valor de verdade não está no percentual, está em não ter mês zerado. Um dev que fatura R$ 12 mil em seis meses do ano e R$ 2 mil nos outros seis está pior que um que fatura R$ 8 mil todo mês, mesmo com hora menor.

O que uma software house avalia antes de repassar um projeto

Repassar projeto é colocar a reputação da casa na mão de outra pessoa. Por isso a régua é alta e não é sobre quantas linguagens você domina. Na prática, o que pesa:

  1. Entrega comprovável. Dois ou três projetos reais em produção, com link, com usuário de verdade. Repositório vazio no GitHub e certificado de curso não contam. Se o seu portfólio não mostra software rodando, você está invisível.
  2. Comunicação assíncrona decente. Você responde em horas, não em dias. Avisa que vai atrasar antes de atrasar. Escreve um update que o cliente não técnico entende. Isso reprova mais gente do que teste técnico.
  3. Estimativa honesta. Quem chuta prazo pra agradar queima a casa junto. Quem diz "isso são 3 semanas e aqui está o porquê" vira parceiro recorrente.
  4. Stack alinhada. No caso da OCA, React Native e Expo no mobile, Next.js e Node no web, Supabase e Postgres no dado. Não precisa ser exatamente isso, mas precisa haver interseção real.
  5. Estabilidade jurídica e fiscal. CNPJ ativo, nota fiscal, capacidade de assinar contrato com cláusula de confidencialidade e propriedade intelectual. Sem isso não tem como passar projeto de cliente corporativo.

As armadilhas que queimam o parceiro no primeiro projeto

Já vi cada uma dessas acontecer, e o padrão se repete:

  • Aceitar sem ler o escopo. Projeto repassado vem com escopo definido, mas quem executa é quem descobre o buraco. Leia o documento inteiro antes de dizer sim e levante o que estiver vago. Depois que você aceita, o risco de estimativa passa a ser seu.
  • Falar com o cliente por fora. Em modelo white label, contato paralelo quebra a confiança na hora. Se o cliente te chamar direto, redirecione pro canal combinado. Parece burocrático, é o que mantém a parceria viva.
  • Puxar o cliente pra si. Acontece, e acaba com o relacionamento em um movimento. Você ganha um projeto e perde a fonte que te daria os próximos cinco.
  • Pegar volume demais. Aceitar três repasses ao mesmo tempo porque "finalmente apareceu demanda" é o jeito mais rápido de furar prazo nos três. Diga não com antecedência, não no dia da entrega.
  • Sumir no pós-entrega. Combine a janela de garantia por escrito, normalmente 30 a 90 dias pra correção de bug do que foi entregue. Sem isso combinado, todo mundo assume uma coisa diferente.

Como entrar na rede de parceiros da OCA

A OCA é uma software house em São Paulo, time senior pequeno, e a gente construiu o próprio produto antes de vender serviço: o Revo, plataforma de eventos com mais de 40 mil usuários e checkout próprio convertendo em 90%. A visibilidade que isso e o trabalho de conteúdo trouxeram gera hoje mais demanda qualificada do que o time entrega.

A rede de parceiros existe pra isso. Projetos vetados, escopo já fechado, cliente já alinhado em preço e prazo. Sendo transparente sobre as duas pontas: não existe garantia de volume nem de que você vai receber projeto em um prazo X. O repasse depende de fit de stack, disponibilidade sua e do que está entrando no funil naquele mês. O que existe é um canal direto, sem plataforma no meio, sem leilão de preço e sem cliente perguntando se dá pra fazer por R$ 3 mil.

Se você entrega bem e o seu problema não é técnico, é distribuição, esse é o caminho mais curto.

Entre para a rede de parceiros da OCA


Uma coisa pra fazer essa semana, independente de rede de parceiro: escolha os dois melhores projetos que você já entregou e escreva, pra cada um, três linhas no formato "problema do cliente, o que eu construí, resultado medido". Sem jargão de stack no começo. Esse é o texto que qualquer software house, e qualquer cliente, lê antes de decidir se te chama. Se você não consegue escrever o resultado medido, esse é o seu próximo trabalho: voltar no cliente antigo e perguntar o número.

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