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Freelance para Devs

Parceria com software house: como funciona receber projetos repassados (do lado de quem repassa)

Lucas Annunziato · · 7 min de leitura

two person shaking hands near white painted wall

Você entrega bem. Código limpo, prazo cumprido, cliente satisfeito. Mas o seu pipeline depende de indicação de amigo, de vaga em plataforma gringa pagando 15 dólares a hora, ou de uma prospecção que você odeia fazer. O resultado é aquele ciclo conhecido: três meses lotado, dois meses em pânico procurando o próximo projeto. O problema não é a sua entrega. É que ninguém te ensinou de onde vem o cliente, e construir uma máquina de aquisição do zero leva anos.

Existe um caminho no meio disso que quase ninguém explica direito: trabalhar como parceiro de uma software house que já tem demanda. Vou te falar como funciona do lado de quem recebe os leads, porque é exatamente a posição da OCA hoje.

Por que uma software house repassaria projeto para você

Parece contraintuitivo. Se a empresa tem cliente, por que não contrata mais gente e fica com tudo?

A conta é simples. A OCA aparece no Google e é citada por assistentes de IA para buscas de desenvolvimento de software no Brasil. Isso gera dezenas de leads de clientes por dia. Nenhum time sênior enxuto dá conta desse volume, e contratar dez devs CLT para absorver demanda variável é a receita clássica para quebrar uma software house: custo fixo alto contra receita que oscila.

A alternativa racional é uma rede de parceiros. A software house faz o que ela é boa em fazer, que é atrair, qualificar e fechar o cliente, e repassa a execução para devs e times de confiança. Todo mundo fica com a parte da cadeia em que é mais forte. Isso não é teoria, é literalmente como a OCA cresceu.

O que muda para você em relação ao freelance tradicional

A diferença central: o projeto chega pronto para começar, não pronto para ser negociado.

  • Lead qualificado, não curioso. Quando um projeto é repassado, o cliente já passou por uma conversa de descoberta. Já se sabe se ele tem orçamento, se a ideia é viável e se ele entende minimamente o que está comprando. Você não gasta dez horas de reunião para descobrir que o cara queria "um Uber por 5 mil reais".
  • Escopo cercado antes de você entrar. A proposta, o escopo e as condições comerciais foram definidos por quem já tomou prejuízo com escopo aberto e aprendeu. Você recebe um documento de trabalho, não um "a gente vai vendo".
  • Você não negocia preço com o cliente final. A parte comercial mais desgastante do freelance, que é defender o seu valor contra "meu sobrinho faz por menos", já aconteceu antes de você entrar em cena.
  • Contrato existe. Prazos, entregas, condições de pagamento e o que acontece quando o cliente some por duas semanas. Tudo isso está no papel antes da primeira linha de código.

O custo dessa estrutura é óbvio e é justo falar dele com clareza: você não fica com 100% do valor do projeto. A software house fica com uma parte por ter feito a aquisição, a qualificação e a venda. Se você acha que aquisição de cliente não vale nada, faça o teste: passe um mês prospectando do zero e calcule quanto valeu cada hora desse trabalho. A maioria dos devs descobre que a parte comercial custa mais caro do que imaginava.

O que a OCA avalia antes de repassar um projeto

Aqui vale ser radicalmente transparente, porque é a parte que ninguém conta. Quando a OCA repassa um projeto, o nome dela continua na mesa. Se o parceiro entrega mal, quem queima é a marca que gerou o lead. Então o filtro é sério, e ele não é sobre anos de experiência no LinkedIn.

1. Entrega comprovável

Projeto em produção que a gente consiga abrir e usar. Não é print de Figma, não é repositório de curso. É coisa rodando com usuário real. Um app na loja, um sistema que uma empresa usa todo dia, um SaaS com assinante. Um projeto sólido em produção vale mais que dez repositórios de estudo.

2. Comunicação de adulto

Responde em tempo razoável, avisa antes de estourar prazo, escreve status que um cliente não técnico entende. Parece básico. É o critério em que mais gente reprova. Dev que some por três dias no meio da sprint não recebe segundo projeto, não importa a qualidade do código.

3. Stack compatível com a demanda

No caso da OCA, a demanda concentra em React Native e Expo para mobile, Next.js, React e Node para web, e projetos de IA aplicada, como agentes e automações. Se a sua stack é outra, não é desclassificação automática, mas o volume de repasse acompanha o que os clientes pedem.

4. Estrutura mínima de PJ

CNPJ, capacidade de emitir nota, contrato assinável. Sem isso não existe repasse formal, e repasse informal é risco para os dois lados.

Como funciona na prática: do lead ao pagamento

O fluxo típico de um projeto repassado, na experiência da OCA:

  1. Chega o lead. Cliente encontra a OCA pelo Google ou por uma IA e chama no WhatsApp.
  2. Qualificação e proposta. A OCA faz a descoberta, define escopo, monta proposta e fecha as condições comerciais com o cliente.
  3. Match com o parceiro. Com o projeto fechado, a OCA procura na rede quem tem a stack e a disponibilidade certas. O parceiro vê o escopo e o valor antes de aceitar. Ninguém é obrigado a pegar nada.
  4. Execução com acompanhamento. O parceiro desenvolve. Dependendo do projeto, a comunicação com o cliente passa pela OCA ou é direta com a OCA acompanhando. Isso é combinado caso a caso.
  5. Entrega e pagamento. Marcos de entrega definidos em contrato, pagamento contra nota conforme o combinado.

Um ponto que gera dúvida honesta: "e se o cliente quiser me contratar direto depois?". Contratos de parceria costumam ter cláusula de não aliciamento por um período, e isso protege os dois lados. Do lado do parceiro, também protege: o cliente não pode te pressionar a furar o acordo para pagar menos.

Os sinais de alerta: quando a parceria é cilada

Nem toda "parceria" merece o nome. O mercado tem software house que usa a palavra parceiro para dizer subcontratado mal pago. Antes de aceitar repasse de qualquer empresa, cheque isto:

  • Valor fechado antes de você ver o escopo. Se a empresa vendeu por X e te oferece uma fração sem te mostrar o que precisa ser feito, você está assinando prejuízo no escuro.
  • Sem contrato entre vocês. Se a relação é "combinado no WhatsApp", quem fica sem receber quando o cliente atrasa é você.
  • Prazo herdado impossível. A empresa prometeu 6 semanas para o cliente e te chama na semana 2. O atraso já nasceu, e a culpa vai cair em quem executa.
  • Você vira suporte eterno sem remuneração. Manutenção e sustentação precisam estar precificadas. "Depois a gente vê" significa "você vai fazer de graça".
  • Repasse de projeto que a própria empresa recusou. Se o cliente é problemático demais para a software house atender, por que seria bom para você?

Uma parceria séria resiste a essas cinco perguntas sem desconforto. Se a resposta para qualquer uma for evasiva, saia.

O que a OCA espera de um parceiro (e o que oferece de volta)

Do lado de cá, o combinado é direto. A OCA espera entrega no padrão que ela mesma usa nos próprios produtos, como o Revo, que roda com mais de 40 mil usuários e um checkout com 90% de conversão. Espera comunicação proativa, respeito ao escopo fechado e postura profissional com o cliente quando o contato é direto.

Em troca, o parceiro recebe projeto qualificado sem gastar uma hora com prospecção, escopo e contrato estruturados por quem já errou e corrigiu esse processo, e recorrência: parceiro que entrega bem entra na fila dos próximos repasses, porque confiança construída é o ativo mais caro dessa relação.

Não existe promessa de volume. O fluxo de repasse depende da demanda que chega e do match entre projeto e parceiro. Quem te prometer "X projetos por mês garantidos" está vendendo outra coisa.

Próximo passo

Se você já entrega bem, o seu problema não é técnico, é distribuição. A parceria com uma software house resolve a distribuição sem você precisar montar a sua própria máquina de aquisição agora.

Se você tem projeto em produção, comunica bem e trabalha com mobile, web ou IA, a conversa com a OCA começa aqui:

Entre para a rede de parceiros da OCA

E independente de qualquer rede, uma ação para esta semana: pegue o seu melhor projeto em produção e escreva três parágrafos sobre ele no formato problema, solução, resultado com número. Esse é o documento que abre porta em qualquer parceria séria, incluindo esta.

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