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MVP e Startups

Como validar sua ideia de startup antes de gastar um real com desenvolvimento

Gabriela Dionelli · · 6 min de leitura

person writing on white board

Você tem uma ideia que não sai da cabeça. Já imaginou o app pronto, já pensou no nome, talvez até tenha desenhado a tela inicial num guardanapo. E agora está pesquisando quanto custa desenvolver, pronto para juntar as economias e contratar alguém.

Respira. Vamos por partes.

Antes de gastar qualquer valor com desenvolvimento, existe um trabalho que quase ninguém faz e que separa os produtos que encontram clientes dos que morrem com três meses de vida: a validação. A boa notícia é que essa etapa custa perto de zero. A má notícia é que ela exige algo mais difícil do que dinheiro: a disposição de descobrir que sua ideia, do jeito que está, pode não funcionar.

A pergunta certa não é "como construir", é "alguém paga por isso?"

A maioria das pessoas com uma ideia de startup começa pela pergunta errada: "quanto custa fazer o app?". A pergunta certa é: "como eu descubro se alguém quer isso antes de fazer o app?".

Existe um motivo psicológico para invertermos essa ordem. Quando você imagina seu produto pronto, seu cérebro se apega à solução. Você passa a defender a ideia em vez de testá-la. Todo feedback negativo vira "a pessoa não entendeu". É um viés conhecido, e ele já queimou muito dinheiro de fundador de primeira viagem.

Validar é o antídoto. Significa buscar evidência de que o problema existe, de que dói o suficiente, e de que alguém pagaria pela sua solução. E aqui está o ponto que muda tudo: você não precisa de uma linha de código para conseguir essa evidência.

O roteiro de validação em 5 passos (custo total: quase R$0)

Esse roteiro cabe em duas a quatro semanas. Faça na ordem. Cada passo só faz sentido se o anterior passou.

1. Escreva o problema em uma frase, sem citar a solução

Custo: R$0. Tempo: uma tarde.

Complete: "Pessoas do tipo X perdem tempo/dinheiro/paciência com Y". Se você não consegue descrever o problema sem falar do seu app, você tem uma solução procurando um problema, e esse é o padrão mais comum entre startups que fecham.

Exemplo ruim: "as pessoas precisam de um app para agendar serviços de beleza". Exemplo bom: "donas de salão pequeno perdem clientes porque respondem WhatsApp entre um atendimento e outro, e demoram horas para confirmar horário".

2. Converse com 10 pessoas que vivem esse problema

Custo: R$0. Tempo: uma a duas semanas.

Não amigos, não família. Eles vão elogiar sua ideia para não te magoar. Procure pessoas reais do seu público em grupos de Facebook, comunidades de WhatsApp, LinkedIn ou na porta do estabelecimento, se for negócio físico.

Regra de ouro da conversa: não apresente sua ideia. Pergunte sobre a rotina da pessoa hoje. Como ela resolve o problema atualmente? Quanto isso custa em tempo ou dinheiro? Ela já tentou outra solução? Por que abandonou?

  • Se a pessoa descreve o problema com emoção e detalhes, você tem sinal.
  • Se ela diz "ah, é meio chato, mas dá pra levar", você tem um problema fraco. Problema fraco não sustenta produto pago.

3. Verifique como as pessoas resolvem hoje

Custo: R$0. Tempo: alguns dias.

Aqui mora um contrassenso que pega muito fundador: concorrência é bom sinal. Se ninguém no mundo resolve esse problema, a explicação mais provável não é que você foi o primeiro a pensar nisso. É que o problema não paga as contas de ninguém.

O que você quer encontrar são soluções improvisadas: planilhas, grupos de WhatsApp, caderninho, um funcionário dedicado a uma tarefa manual. Gambiarra em produção é a melhor evidência de demanda que existe. Significa que a dor é real o suficiente para a pessoa montar uma solução tosca por conta própria.

4. Crie uma oferta antes de criar o produto

Custo: R$0 a R$300. Tempo: uma semana.

Monte uma página simples descrevendo o que seu produto fará, para quem, e com um botão de "quero entrar na lista" ou "quero ser avisado". Ferramentas gratuitas resolvem: um formulário do Google, uma página no Notion, um perfil no Instagram com link. Se quiser investir, R$100 a R$300 em anúncios levam tráfego real do seu público até a página.

O que medir: de cada 100 pessoas que viram a página, quantas deixaram contato? Abaixo de 5%, sua mensagem ou sua ideia precisam de ajuste. Acima de 15%, você tem algo.

5. Faça a versão manual do seu produto

Custo: R$0. Tempo: duas a quatro semanas.

Esse é o passo que quase ninguém faz e que vale mais do que qualquer protótipo. Entregue o serviço do seu futuro app na mão, para 3 a 5 clientes reais, cobrando de verdade.

Ideia de app de agendamento? Gerencie a agenda de dois salões por WhatsApp durante um mês. Ideia de marketplace? Conecte comprador e vendedor manualmente e cobre sua comissão. Se as pessoas pagam pela versão manual e feia, elas vão pagar pela versão automatizada e bonita. Se não pagam nem assim, nenhum app salva a ideia.

As armadilhas que queimam dinheiro nessa fase

Contratar desenvolvimento para "validar". Gastar R$40 mil num app para descobrir se alguém quer é a validação mais cara possível. O app é a última etapa da validação, não a primeira.

Confundir elogio com validação. "Que ideia legal!" não vale nada. Cadastro numa lista vale pouco. Dinheiro trocando de mão vale tudo. Existe uma distância enorme entre o que as pessoas dizem que fariam e o que elas fazem quando precisam pegar o cartão.

Registrar marca, abrir CNPJ e fazer identidade visual antes de validar. São gastos que dão sensação de progresso sem gerar nenhuma evidência. É procrastinação disfarçada de trabalho. Tudo isso pode esperar.

Guardar a ideia em segredo. O medo de "roubarem minha ideia" impede a validação, que exige contar a ideia para dezenas de pessoas. Na prática, ideias valem pouco e execução vale muito. Ninguém vai largar a própria vida para executar a sua ideia melhor do que você.

Validou? Agora sim faz sentido falar de MVP

Se você chegou ao fim do roteiro com conversas que confirmam a dor, uma página que converte e, principalmente, gente pagando pela versão manual, você saiu do grupo dos sonhadores e entrou no grupo pequeno de quem tem um negócio embrionário. Agora o desenvolvimento deixa de ser aposta e vira investimento com base em evidência.

É nesse ponto que a gente entra. Na OCA, antes de construir o Revo, nossa plataforma de eventos que hoje tem mais de 40 mil usuários, o processo foi exatamente esse: entender a dor de quem produz e frequenta eventos antes de escrever código. E é o mesmo filtro que aplicamos nos projetos de clientes. Nossa primeira conversa costuma incluir dizer o que não construir, porque MVP bom começa pequeno de propósito. Você pode ver outros produtos que tiramos do papel no portfólio da OCA.

Seu primeiro produto não precisa ser perfeito. Precisa existir. E antes de existir como software, ele precisa existir como evidência.

Seu próximo passo, ainda essa semana

Escolha o passo 1 do roteiro e faça hoje: escreva o problema em uma frase, sem mencionar sua solução. Depois liste 10 pessoas que vivem esse problema e mande a primeira mensagem pedindo 15 minutos de conversa. Isso você consegue validar essa semana, sem gastar nada.

E quando as evidências apontarem que é hora de construir, a gente conversa sobre qual é o menor produto possível que testa sua ideia de verdade.

Tire seu MVP do papel com a OCA

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Conte o que você quer construir. A primeira conversa é direta, sem compromisso e já sai com um caminho de MVP.

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